A sociedade moderna, através
de processo de globalização tem sofrido mudanças
radicais mormente com os novos avanços tecnológicos
da comunicação (Internet), fazendo com que tenham
mudado radicalmente os costumes e os hábitos e até
a forma de encarar a maternidade, por parte da mulher.
Atualmente, as mulheres por priorizarem a sua formação
profissional e adiarem a entrada no mercado de trabalho, projetam
também, para um futuro mais distante a primeira gestação,
sem nos esquecermos também do grande número de separações
conjugais e conseqüentes novos relacionamentos.
Analisando somente o aspecto puramente econômico pareceria
razoável que a estabilidade profissional coincidisse com
a chegada do primeiro filho, no entanto fatores biológicos,
principalmente do lado feminino, deveriam ser comentados e discutidos
com as pacientes.
Diferentemente do homem, a mulher já nasce com o número
de folículos que serão utilizados da puberdade até
a menopausa. O declínio da fertilidade é gradual até
os 35 anos, acentuando-se após esta idade, mesmo que os níveis
laboratoriais do FSH (hormônio da hipófise que estimula
o funcionamento do ovário) estejam normais.
Nunca é demais lembrar que no final da idade reprodutiva
aumentam a incidência de outras patologias que podem também
interferir na gestação, como cistos ovarianos, aderências
tubária pós-infecção e endometriose.
Para se ter uma idéia, a possibilidade de engravidar
espontaneamente entre 35 e 39 anos de idade é 50% menor do
que entre os 30 e 34 anos. Em publicações da Rede
LatinoAmericana de Reprodução Assistida, mesmo com
as mais modernas tecnologias a evolução de uma gestação
após os 40 anos não chega a 4%. Outro dado importante
a ser analisado é a maior incidência de abortamentos
e malformações diretamente relacionadas à idade
do oócito fertilizado. Diante do exposto, poderíamos
afirmar que nós ginecologistas preocupados com aspectos da
reprodução humana temos obrigação científica
de esclarecer todas as possibilidades de gravidez espontânea
após os 35 anos de idade, assim como também desmistificar
a "magia" dos serviços de reprodução
assistida que com falsas promessas garantem a certeza de uma gestação
sem risco para este grupo de pacientes.
Uma opção existente, mas não aceita por todos
os casais seria a inclusão deste grupo de pacientes, num
programa de doação de óvulos para pacientes
com mais de 40 anos de idade.
Embora não existam a nível do Congresso Nacionais
leis que normatizem este procedimento, o Conselho Federal de Medicina
aprova que pacientes já inscritas num programa de fertilização
assistida, poderiam doar óvulos, mantendo-se o sigilo absoluto
e não podendo também existir transações
financeiras.
Concluímos, portanto que, condutas criteriosas devam ser
tomadas diante de pacientes desejosas de engravidar no final da
idade reprodutiva, esclarecendo objetivamente com dados reais, porém
nunca retirando a esperança de torná-las mães.
Taxa de gravidez com transferência
de quatro embriões e idade da mulher:
|
Idade
da Mulher |
Taxa
de gravidez Clínica
|
|
< 35 anos |
37,3% |
|
35-39 anos |
29,1% |
|
40 anos ou mais |
21,0% |
Fonte: RLA 2000
Taxa de gravidez clínica segundo a causa de infertilidade
e a idade da mulher:
|
Idade
da Mulher |
Tubária |
Outras
causas femininas
|
Masculina |
Múltiplas |
Inexplicadas |
|
< 35 anos |
30,1% |
27,9% |
30,0% |
24,0% |
36,4% |
|
35-39 anos |
25,7% |
24,3% |
23,9% |
17,5% |
25,8% |
|
40 anos ou mais |
10,3% |
7,4% |
7,5% |
12,0% |
14,7% |
|
Total |
26,3% |
23,4% |
25,8% |
20,1% |
29,0% |
Fonte: RLA 2000
|